Trabalhadores dos Correios podem entrar em greve
Sindicato denunciou pelo site oficial condições de trabalho consideradas "péssimas"
Enviado em 08/08/2012 às 09:11 h - Atualizado em 08/08/2012 às 09:11 h
O Sindicato dos Trabalhadores na Empresa de Correio e Telégrafos de Mato Grosso (Sintect/MT) convocou os sindicalizados para uma assembleia-geral extraordinária, nesta terça-feira (7), para decidir se entram em estado de greve.
Os profissionais alegam que a estrutura dos correios está sucateada, os salários defasados, faltam de profissionais e que o processo de avaliação de produtividade causa constrangimento moral aos trabalhadores.
O Sintect também divulgou, via internet, fotos que demonstram o sucateamento da empresa e condições de trabalho, consideradas péssimas pelos trabalhadores.
Segundo o sindicato o Governo Federal deixou de investir na manutenção dos equipamentos de trabalho da Empresa de Correios e Telégrafos (ECT), para realizar uma manobra, visando a privatização.
“Nos últimos dez anos os investimentos foram mínimos. É notório o sucateamento, entendemos que isso não passa de uma manobra para privatizar os Correios. Posteriormente alegando que é necessário investimento externo para ser reformulado”, disse ao MidiaNews o presidente do Sintect, Francisco da Silva Adão.
O sindicalista que os equipamentos de trabalho utilizados pela ECT são obsoletos e acabam influindo na produtividade dos funcionários. Computadores antigos, falta de segurança, sucateamento das instalações e dos meios de transporte, estão entre as principais reclamações.
O Sindicato divulgou em seu site, www.sintectmt.org.br, fotografias da agência do bairro Verdão, em Cuiabá, onde o mato alto dava a sensação de abandono do local. Alguns dias depois, a unidade recebeu os serviços de manutenção.
Falta de segurança
Adão, que trabalha como carteiro há 28 anos, pontuou que o item segurança, evoluiu pouco em mais de duas décadas. E que o déficit em investimentos no setor, traz riscos para trabalhadores e também clientes.
“Nas agências do interior a situação é mais crítica. Faltam portas giratórias, e segurança armada. Investimento maior foi com monitoramento eletrônico, que não impede a ação de bandidos. Temos casos de duas agências do interior, onde clientes e funcionários foram feitos de reféns por ladrões”, disse.
Os assaltos à carteiros continua sendo um problema para a categoria, de acordo com o sindicato. O MidiaNews denunciou a situação no mês de abril deste ano.
Assédio moral
Outra reclamação sobre o Sistema de Avaliação de Produtividade (SAP), que vem causando indignação. O sindicato diz que a forma de escolha dos avaliados vem se transformando em forte mecanismo de assédio moral contra os carteiros.
“O sistema escolhe aleatoriamente uma quantidade de funcionários que serão avaliados, sem nenhum comunicado prévio e que pode se transformar em armadilha. Os carteiros estão trabalhando de forma histérica e sobre pressão. A meta é de duas mil triagens de correspondência por hora, é uma meta muito alta. Se não cumprida recebemos advertência, somando três, podemos ser demitidos”, disse o presidente do Sintect.
“Não basta o sol escaldante do dia a dia, as fortes chuvas, motos e bicicletas em péssimo estado de conservação, indicadores de produtividade desumanos, os baixos salários, as dívidas, as doenças ocupacionais, agora temos que engolir o SAP, sorrir, ser gentil...Não podemos reclamar, a direção regional tem ameaçado o sindicato e os trabalhadores sindicalizados”, disse Adão.
Para dar mais qualidade de vida ao trabalhador, o sindicato avaliou que é necessária uma mudança no horário de entrega das correspondências. Atualmente as correspondências são entregues no período da tarde as 13 h às 17 horas.
“Em Mato Grosso, com esse calor e sol escaldante é muito sofrido o trabalho do carteiro. Que até passam mal com a baixa umidade do ar e sol forte. Propomos que as entregas sejam feitas na parte da manhã, das 7h às 11h. O trabalho ia melhorar e até aumentar o índice de produtividade”, argumentou o sindicalista.
Ameaça de privatização
O sindicalista acredita que a aprovação da Medida Provisória 532/2011- que alterou as leis que dispõem sobre a transformação do Departamento dos Correios e Telégrafos em empresa pública.
“A aprovação da MP foi uma forma de começar a privatizar os Correios. A Regional renovou o contrato de terceirização dos carteiros por mais 60 dias, o valor pago chega a R$ 1 milhão. São funcionários terceirizados e sem preparo para a função. Enquanto isso temos centenas de pessoas que passaram em concurso e que não foram efetivadas”, disse.
Fonte: Midianews